A Pimenta Branca de Penja dos Camarões, frequentemente considerada como uma das grandes pimentas do mundo, é uma pimenta rara e preciosa, cultivada na fértil região de Penja. Esta cidade, aninhada no departamento do Moungo, é famosa pelas suas plantações de bananas e agora pela sua pimenta, que obteve a primeira IGP (Indicação Geográfica Protegida) atribuída a um produto do continente africano.
À semelhança das famosas pimentas de Malabar ou de Tellicherry, a Pimenta de Penja é um cultivar do Piper nigrum, a espécie na origem de todas as pimentas redondas, sejam elas pretas, brancas, verdes ou vermelhas. O cultivo da pimenta em Penja é uma tradição, onde cada grão é seco ao sol e colhido à mão, sem mecanização, preservando assim a qualidade da pimenta e o seu caráter artesanal.
O terroir vulcânico de Penja confere a estes grãos um sabor delicado e uma acidez caraterística, tornando esta pimenta uma escolha de eleição para perfumar carnes, especialmente a carne vermelha.
A aventura de Antoine Decré
Nas terras férteis de Penja, banhadas por solos vulcânicos únicos, Antoine Decré, plantador francês de bananas, introduziu as primeiras lianas de Piper nigrum importadas da Índia no início da década de 1950. A primeira exportação comercial — um único saco de 40kg de pimenta branca para a Europa — teve lugar em março de 1958, lançando as bases da lenda deste grand cru.
Em 2013, a pimenta de Penja obteve a primeira IGP (OAPI) atribuída a um produto agrícola da África Subsariana. Em março de 2022, tornou-se o primeiro produto da zona OAPI e o segundo de África a ser registado no registo europeu das IGP (Regulamento de Execução UE 2022/436). Em 2015, já 200 produtores respondiam a uma procura em efervescência.